Desde que desembarcou no Brasil, em 1998, a gigante americana Hersheys vem procurando formas de fazer valer a força de uma corporação que fatura cerca de US$ 5 bilhões e lidera o mercado americano de chocolate. Ao que parece, acaba de encontrar. A subsidiária local está prestes a assinar um acordo com a brasileiríssima Bauducco, cujas receitas somam cerca de R$ 800 milhões. O acerto dará origem a uma nova empresa, que juntará os ativos das duas companhias, na qual a Bauducco terá uma fatia de 49%. Ou seja, na prática, a centenária Hersheys está comprando a Bauducco. Procuradas pela DINHEIRO, elas não quiseram se pronunciar. Pessoas com acesso à mesa de negociação confirmam os entendimentos e dizem que a transação começou a ser desenhada em setembro de 2007. As conversas foram paralisadas no final do ano, mas a expectativa é que sejam concluídas em breve. Apesar de atuarem em áreas distintas, Bauducco e Hersheys só têm a ganhar, na avaliação de Claudio Felisoni de Angelo, especialista em varejo. "Uma união tem mais chances de dar certo quando envolve empresas complementares em linhas de produtos", argumenta. Tratase do raciocínio segundo o qual a soma de um mais um é igual a três.
A Bauducco é uma marca respeitada no Brasil. Domina nichos importantes: panetone, biscoito waffer e torrada. E também é dona de uma rede de distribuição eficiente, que atinge cerca de 200 mil pontosde- venda. Exatamente o que falta à Hersheys que, apesar do peso global, possui um naco de apenas 3% de um segmento dominado por Nestlé (com 51% incluindo-se a fatia da Garoto) e Kraft (com 34%). Por sua vez, a Bauducco teria à disposição uma estrutura global para colocar seus panetones, por exemplo. Hoje eles já são vendidos nos EUA e alguns países da América Latina. Associado à Hersheys, mesmo que em uma posição minoritária, o clã comandado por Luigi Bauducco teria a chance de chegar a cerca de 100 países. "Para participar do mercado alimentício global é preciso ter escala. E isso pode ser facilitado com parcerias estratégicas", argumenta Maria Tereza Fleury, professora da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP).
Fonte: http://br.news.yahoo.com/060320/11/12xhp.html