Engenharia de Alimentos

EngAlimentos.com.br

Cascas e sementes de maracujá beneficiadas geram produtos com valor agregado

sexta-feira, maio 4, 2007

Um projeto liderado pela Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de
Janeiro-RJ) quer reverter o desperdício de matéria-prima em indústrias
de processamento de suco e polpa de maracujá. Isto porque cascas e
sementes beneficiadas tornam-se produtos de alto valor agregado nos
ramos alimentício e cosmético.

Hoje, no Brasil, cerca de 90% das cascas e sementes do maracujá viram
toneladas de lixo. A casca é rica em pectina, cuja forma sintética é
empregada na indústria de alimentos para dar firmeza a doces e geleias.
Ela também tem niacina (Vitamina B3), ferro, cálcio, fósforo e sódio. E
essa riqueza despertou o interesse de empresas como Herbarium e
Phytomare, por exemplo, para elaboração de produtos naturais que
auxiliam no controle da glicemia. Potes de 200 gramas ou cápsulas são
facilmente encontrados em supermercados e farmácias a preços que variam
de R$ 20 a R$ 24.

Pesquisadores revelam que estudos feitos com a semente mostram que ela
tem 87% de ácidos graxos insaturados (oléico e linoleico), importantes
na elaboração de alimentos com ômega 6 que ajuda no desenvolvimento do
organismo. Os cosméticos fazem uso dos ácidos graxos em linhas para
controle da oleosidade da pele. Não é difícil encontrar produtos
industrializados deste gênero com valores entre R$ 33 e R$ 58.

“O desperdício das casas e sementes de maracujá pode ser evitado com
estudos de viabilidade técnica-econômica e organização de unidades
acopladas à indústrias de suco”, afirmou o pesquisador Eder Dutra de
Resende, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), que
coordena a ação de aproveitamento de subprodutos derivados dento do
Projeto Inovação Tecnológica para a Cadeia Produtiva do Maracujá no
Norte Fluminense.

A pesquisadora Rosemar Antoniassi, da Embrapa Agroindústria de
Alimentos, também ressalta a importância do processo. “Estas
matérias-primas não podem mais ser tratadas como lixo. Caso contrário,
seu potencial não se expressa”.

Segundo dados da Emater-RJ, o maracujá é produzido em mais de 40
municípios do Rio de Janeiro e o Estado está entre os principais
produtores, seguido da Bahia, Espírito Santo, Sergipe e São Paulo. No
entanto, o Norte Fluminense tem sofrido problemas sérios com o ataque de
doenças que aniquilam as plantas logo aos quatro meses de cultivo.
Pesquisadores da Pesagro-Macaé, que também integram o projeto, já
identificaram uma espécie resistente, a Passiflora alata, que servirá de
porta-enxerto para novas mudas.

Estratégias - Na semana passada, pesquisadores e técnicos da Embrapa, da
UENF, da Pesagro-RJ, da Emater, da Firjan e do Projeto Frutificar
estiveram reunidos em Campos dos Goytacazes (RJ) para definir as
primeiras estratégias de ação para atacar os problemas da cadeia
produtiva do maracujá na região. Eles têm dois anos para implementar as
inovações em parceria com produtores e processadores. O projeto obteve
financiamento do Ministério da Ciência e Tecnologia.



Fonte: http://br.news.yahoo.com/060320/11/12xhp.html

Tags:
Filed Under: Matérias