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Pesquisadora da Escola Politécnica da USP cria embalagem comestível

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Um filme plástico comestível, biodegradável e com propriedades antimicrobianas, desenvolvido na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), em São Paulo, poderá ser uma nova opção para a fabricação embalagens de alimentos. O novo produto, um polímero natural feito a partir de amido de mandioca e açúcares, é resultado do projeto de pós-doutorado da engenheira química Cynthia Ditchfield, do Laboratório de Engenharia de Alimentos, do Departamento de Engenharia Química da Poli.

Segundo Cynthia, o novo polímero poderá ser usado para fabricar embalagens ativas, que apresentam vantagens em relação às convencionais. A principal delas é que, além de proteger, elas interagem com o produto. “Existem muitos tipos de embalagens ativas”, diz Cynthia. “Como as antioxidantes que retardam a oxidação do produto, as que mostram se o produto passou por alterações de temperatura durante a estocagem e as antimicrobianas que evitam o crescimento de microrganismos e a degradação do produto, entre outras.”

Nesse projeto, Cynthia, que faz parte de uma equipe supervisionada pela professora Carmen Tadini, procurou criar uma embalagem que fosse biodegradável e ativa ao mesmo tempo, já que a maioria dos outros estudos opta por uma ou outra dessas características. Para isso, a pesquisadora acrescentou ingredientes naturais que atuam como antimicrobianos (inibem ou retardam o crescimento de microrganismos) ao filme base, de modo a ter uma embalagem que pudesse ser empregada para aumentar a vida de prateleira, principalmente de produtos alimentícios.

Testes – Foram testados vários compostos que são conhecidos por apresentar atividade antimicrobiana, como mel, extrato de própolis, cravo e canela em pó, óleo essencial de laranja e café. Os testes mostraram que com a incorporação desses ingredientes, a resistência e a flexibilidade dos filmes podem ser alteradas, assim como a sua capacidade de proteção do produto em termos de barreira à umidade. “Ainda precisamos aperfeiçoar o polímero nesses aspectos”, diz Cynthia. “Os melhores resultados que obtivemos foram com o cravo e a canela.”

De acordo com a professora Carmen, o produto ainda não está pronto para ser industrializado. “Estamos tentando otimizar sua fabricação em nível de laboratório de modo a melhorar seu desempenho como material de embalagem. Vencida esta etapa, outro grande desafio se apresentará, que é o desenvolvimento do processo de elaboração dos biofilmes em escala industrial.”

O projeto foi desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e de uma bolsa Prodoc, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes). Devido ao seu potencial, recebeu o Prêmio Pan-americano Bimbo em Nutrição, Ciência e Tecnologia de Alimentos 2006, na categoria jovem profissional da América do Sul, concedido pelo Grupo Bimbo, do qual fazem parte empresas como Pullman e Plus Vita.



Fonte: http://br.news.yahoo.com/060320/11/12xhp.html

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