Própolis, o antigo antibiótico natural

outubro 19, 2006 05:00 por Aline Abreu

Ao longo da história, o homem apreendeu a utilizar os produtos naturais na medicina. Uma revisão recente sobre esse assunto foi apresentada em Química Nova por Barreiro 1. Das várias formas de utilização destacam-se as plantas brutas (ex.: ervas) além das tradicionais preparações Galênicas (ex.: extratos). Um dos muitos produtos naturais utilizados durante séculos pela humanidade tem sido a própolis (CAS No. 9009-62-5) administrada sob diversas formas. Seu emprego já era descrito pelos assírios, gregos, romanos, incas e egípcios. No antigo Egito (1700 A.C.; "cera negra") era utilizada como um dos materiais para embalsamar os mortos.

A própolis é uma mistura complexa, formada por material resinoso e balsâmico coletada pelas abelhas dos ramos, flores, pólen, brotos e exsudados de árvores; além desses, na colméia as abelhas adicionam secreções salivares 2-5. Vários trabalhos têm sido publicados divulgando e revisando as propriedades biológicas da própolis como, por exemplo, as antimicrobiana, antifúngica, antiprotozoária, antioxidante e antiviral4-6. Na África do Sul, na guerra ao final do século XIX, foi amplamente utilizada devido às suas propriedades cicatrizantes5 e na segunda guerra mundial foi empregada em várias clínicas soviéticas7. Na antiga URSS, a própolis mereceu especial atenção em medicina humana e veterinária, com aplicações inclusive no tratamento da tuberculose, observando-se a regressão dos problemas pulmonares e recuperação do apetite8.

Os gregos, entre os quais Hipócrates, a adotaram como cicratizante interno e externo. Plínio, historiador romano, refere-se à própolis como medicamento capaz de reduzir inchaços e aliviar dores7. O termo própolis já era descrito no século XVI na França5 e, em 1908 surgiu o primeiro trabalho científico9 sobre suas propriedades químicas e "composição", indexado no Chemical Abstracts (referência n° 192). Em 1968 surgiu no Chemical Abstracts o resumo da primeira patente utilizando a própolis10 (Romena, para a produção de loções para banho).

Historicamente o primeiro trabalho9 (indexado pelo Chemical Abstracts) sobre a própolis foi publicado 10 anos depois que o professor Heinrich Dresser da Bayer, proclamou o surgimento de uma milagrosa droga batizada como heroína; 5 anos depois do surgimento do primeiro barbitúrico e 14 anos antes do descobrimento da vitamina D, por McColumn e colaboradores, no óleo de fígado de bacalhau (que evitaria e curaria o raquitismo), isolada na Alemanha por Windaus (agraciado por isso com o prêmio Nobel)11.

Em pouco mais de 90 anos, o número de trabalhos publicados citados no Chemical Abstracts totaliza 450, oriundos de 39 países (dos cinco continentes), além de 239 patentes. O efeito antibiótico de extrato aquoso de própolis, em várias concentrações, foi avaliado para cinco espécies de bactérias fitopatogênicas. Agrobacterium tumefaciens, Clavibacter michiganensis subsp. michiganensis e Xanthomonas axonopodis pv. phaseoli foram completamente inibidas em meio de cultura contendo 10% de extrato de própolis. Erwinia chrysanthemi foi parcialmente inibida, enquanto Pseudomonas syringae pv. tabaci se mostrou insensível ao extrato, desenvolvendo colônias idênticas àquelas observadas em meios livres de própolis. Concentrações menores não foram suficientes para exercer um efeito antimicrobiano desejável sobre as bactérias pertencentes a todas as espécies testadas. Resultados idênticos foram obtidos quando própolis foi incorporado ao meio antes ou após a autoclavagem, demonstrando que a substância ativa presente no extrato não é termosensível. Foi demonstrado, portanto, o uso potencial do própolis como antibiótico para o controle de bactérias fitopatogênicas. A solução aquosa foi muito eficaz no combate ao vírus da gripe quando ministrada nasalmente três vezes ao dia. A coriza de resfriados foi prontamente estancada e ainda conseguiu-se sucesso em muitos casos de sinusite.

Lindenfelser, em 1.967, testou a PRÓPOLIS em 39 espécies de bactérias e obteve sucesso na inibiçao de 25 delas. Em outros 45 tipos de fungos, 25 foram inibidos. Contra o vinil da tuberculose os efeitos foram positivos revelando uma ação quase imediata e mostrando uma aço residual mesmo que em pequenas concentrações (500mg/l). Coletando a saliva de pacientes com pneumonia crônica a PRÓPOLIS foi bactericida em 19 tipos de Stafilococcus, 10 de Streptococcus e 10 de Escherichia Coli, cultivados isoladamente. A concentração utilizada foi de 1,25 mg/l. 1~m experimentos com as abelhas descobriu-se que o extrato controla a doença das larvas (fullbroad). A administração foi direta misturada ao mel como alimento.

A pomada foi amplamente testada e comprovadamente ativa na eliminação de quase todos os tipos de bactérias e fungos, tendo ainda o poder regenerativo das células adquirindo um excelente poder de cicatrização. Em otitis crônica foi usada obtendo-se resultados satisfatórios e superiores aos medicamentos convencionais.

Em 1.972, o russo Makarov induziu úlceras estomacais em cobaias com pentóxido de arsênico associada com metil uracil e deixadas evoluir durante sete dias, foram totalmente cicatrizadas.

O extrato revelou propriedades idênticas a certos antibióticos. A ação da Biomicina, Tetraciclina, Neomicina, Polinuxina e Streptomicina em Salmonella Aureus e Eseberichia Coli foi sensivelmente aumentada com a adiç?1o de própolis. Em alguns casos o efeito bacteriostático e bactericida foi aumentado em até 100 vezes. A combinação mais eficaz foi obtida com a Furagina.

Na Odontologia ela foi adicionada ao creme dental aumentando grandemente suas propriedades anti-sépticas, tendo sido registrado sucesso na cura da gengivites e cárie. No Brasil um grande laboratório multinacional produz creme dental com PROPOUS.

Um grande número de informações do uso da PRÓPOLIS no tratamento de vários problemas dermatológicos foram colhidos recentemente procedentes de vários países. Na dermatite, eczema microbiano e outros problemas foram estudados pelo russo Moradutsev que, em 1.973, publicou seu estudo "A eficácia Terapêutica da própolis em quaisquer Dermatose e Micose".

As propriedades biológicas da própolis obviamente estão diretamente ligadas a sua composição química, e este possivelmente é o maior problema para o uso da própolis em "fitoterapia", tendo em vista que a sua composição química varia com a flora da região e época da colheita, com a técnica empregada, assim como com a espécie da abelha (no caso brasileiro também o grau de "africanização" da Apis melífera pode influenciar a sua composição)47. Somente no caso do Brasil são descritas propriedades biológicas e composição química distintas para diferentes amostras coletadas em diferentes partes do país48-60. Essa variação é facilmente explicada pela grande biodiversidade brasileira. Uma menor variação da composição química da própolis é observada nas regiões temperadas do planeta, como por exemplo na Europa, onde seus principais compostos bioativos são os flavonóides (flavonas, flavonóis e flavononas), sendo a crisina (5,7-diidroxiflavona) o primeiro flavonóide isolado em 1927 da própolis cuja fonte vegetal é Populus nigra var. pyramidalis61.

Há grande controvérsia em relação ao teor de flavonóides nas amostras brasileiras nas quais os ácidos fenólicos são geralmente bem mais abundantes. Em relação aos resultados obtidos em nosso laboratório, somente uma (coletada em 1996, em Guarapari, Estado do Espírito Santo, provavelmente associada à flora do gênero Cambará) em um total de 14 amostras de própolis das regiões sul e sudeste do Brasil, apresentou alto teor de flavonóides60.

Grumberger et al.62 descrevem o cafeato de feniletila (CAPE) como um composto responsável pelas propriedades citotóxicas da própolis oriunda das montanhas "Carmel", Israel. Segundo Banskota et al.58 os principais ácidos aromáticos encontrados na própolis brasileira são o 3-prenil-4-hidroxicinâmico e o 6-propenóico-2,2-dimetil-2H-1-benzopirano, dentre outros. Vários outros compostos bioativos vêm sendo isolados na própolis brasileira. Pode-se destacar os diterpenóides (clerodanos) com atividade citotóxica29,63 e derivados do ácido di-O-cafeoil-quínico com potente atividade anti-hepatotóxica53,54.

Hoje mais de 300 constituintes já foram identificados e/ou caracterizados em diferentes amostras de própolis, dentre eles: flavonóides, ácidos aromáticos, ácidos graxos, fenóis, aminoácidos, vitaminas A, B1, B2, B6, C, E e PP (encontradas na própolis de origem francesa), minerais como Mn, Cu, Ca, Al, Si, V, Ni, Zn e Cr.

O própolis é um produto constituído por uma mistura de diversas resinas vegetais, o qual é coletado por abelhas em plantas comumente visitadas por estes insetos. As investigações sobre as propriedades antibióticas do própolis têm sido conduzidas sobretudo na área médica e veterinária, onde o produto tem demonstrado uma eficiente atividade bacteriostática e bactericida em relação a diversos gêneros de bactérias Gram positivas e Gram negativas. O efeito do própolis tem se revelado altamente inibitório para determinados gêneros, tais como Streptococcus, Staphylococcus, Bacillus e Mycobacterium, sendo parcialmente efetivo ou inativo em relação a outros gêneros como Pseudomonas, Escherichia, Klebsiella, Proteus e Salmonella (Prado Filho et al., 1962; Grange & Davey, 1990; Detoma & Ozino, 1991; Mazzuco et al. 1996). Tem sido sugerido que a atividade antibacteriana possa estar associada ao alto conteúdo de substâncias do tipo flavonóides presentes no própolis (Grange & Davey, 1990). Existem relatos de que a substância ativa é termicamente estável, conservando sua ação antibacteriana mesmo após ser submetida à temperatura de 100ºC por meia hora (Prado Filho et al., 1962). Fatores associados à técnica de extração, metodologia de condução de ensaios, local de origem do própolis e época do ano em que foi produzido podem ter influência sobre o maior ou menor grau de inibição do produto em relação às diferentes espécies bacterianas (Shub et al., 1978; Meresta & Meresta, 1985; Valdes et al., 1989; Fuentes & Hernandez, 1990).

Na área de fitopatologia, algumas pesquisas têm sido dirigidas para demonstrar o papel do própolis na sobrevivência de Erwinia amylovora, bactéria veiculada por abelhas, associada a uma doença da pereira conhecida por "fireblight". Os resultados têm mostrado que o própolis não se constitui em um substrato favorável à sobrevivência da bactéria e que este produto não pode ser considerado como fonte de inóculo para a doença (Wael & Greef, 1990; Wael et al., 1990). O fato da bactéria não sobreviver no própolis evidencia a presença de substâncias inibitórias a este patógeno.

Com base nas informações de literatura de que o própolis pode atuar como um produto bactericida e/ou bacteriostático, um ensaio foi conduzido com o objetivo de avaliar um possível efeito antibiótico do própolis sobre cinco espécies de bactérias fitopatogênicas.

As bactérias utilizadas pertenciam às espécies Agrobacterium tumefaciens, Clavibacter michiganensis subsp. michiganensis, Erwinia chrysanthemi, Pseudomonas syringae pv. tabaci e Xanthomonas axonopodis pv. phaseoli, as quais foram gentilmente cedidas pela Seção de Bacteriologia do Instituto Biológico, Campinas, SP. As bactérias foram mantidas, durante a realização dos ensaios, em meio de cultura nutriente-ágar, sendo repicadas periodicamente.

A suspensão de própolis foi obtida por trituração de 100g de própolis bruto em 1 litro de água destilada, por 1-2 minutos, usando-se um aparelho do tipo" mixer". A suspensão foi filtrada em papel de filtro Watmann nº 1, por processo a vácuo.

O meio de cultura usado foi o nutriente-ágar contendo concentrações de própolis, da ordem de 0,1%, 1% e 10%. As diferentes concentrações foram obtidas por incorporação de suspensão de própolis, antes e após a esterilização do meio de cultura em autoclave. Bactérias provenientes de colônias com 48 hs de crescimento foram repicadas para o centro das placas de Petri contendo meio de cultura sem suplementação (testemunha) e com suplementação de própolis. Tanto para a testemunha como para os tratamentos foram empregadas cinco placas, onde cada placa representou uma repetição.

A avaliação foi feita visualmente no terceiro dia após a repicagem, através da observação do desenvolvimento das colônias, tomando-se como padrão as colônias crescidas no meio sem própolis. As diferenças observadas no crescimento das colônias das bactérias pertencentes aos diversos gêneros, nos meios contendo diferentes concentrações de própolis, foram evidenciadas como segue: o sinal (-) foi usado para designar ausência de crescimento; (+) para crescimento reduzido; (++) para crescimento médio e (+++) para crescimento ótimo.

A maioria das espécies bacterianas se mostrou sensível à ação inibitória do própolis. Esta observação foi feita para a maior concentração utilizada, ou seja em meio de cultura contendo 10% de própolis. Nestas condições, A. tumefaciens, C. michiganensis e X. axonopodis, tiveram o seu desenvolvimento totalmente inibido, enquanto E. chrysanthemi apresentou crescimento reduzido. P. syringae não se mostrou afetada pela presença do extrato aquoso de própolis no meio de cultura. Para a concentração de 1%, E. chrysanthemi apresentou crescimento médio e as demais espécies exibiram crescimento ótimo, da mesma forma que aquele verificado no meio sem a presença de própolis. Nos meios contendo 0,1% de própolis, todas as espécies mostraram crescimento ótimo, semelhante àquele observado nos meios livres do produto, considerados como testemunhas.

Resultados idênticos foram obtidos independentemente da suplementação do meio com própolis ter sido feita anterior ou posteriomente à autoclavagem, demonstrando que o calor não alterou o efeito antibacteriano do própolis. Quando o extrato de própolis foi acrescentado ao meio de cultura após a esterilização do meio em autoclave, não se observou o desenvolvimento de contaminantes no meio de cultura, apesar do extrato não ter sido submetido a nenhum método prévio de esterilização.

Os resultados obtidos demonstraram o efeito inibitório do própolis para quatro das cinco espécies de bactérias testadas. Esta constatação evidencia que bactérias fitopatogênicas também são sensíveis às substâncias antibióticas presentes no própolis, assim como outros gêneros patogênicos ao homem e aos animais. Algumas espécies se revelaram mais sensíveis como A. tumefaciens, C. michiganensis e X. axonopodis.

Informações mencionando o efeito do própolis sobre estas espécies não foram encontradas na literatura, não havendo, portanto, referências com as quais estes resultados possam ser confrontados. A espécie E. chrysantemi, apesar de apresentar menor sensibilidade, também foi inibida pelo extrato de própolis, confirmando as observações de Wael & Greef, (1990) e de Wael et al., (1990), segundo os quais esta bactéria não sobrevive em substratos constituídos por este produto. P syringae, utilizada nesse ensaio, se mostrou insensível à ação antimicrobiana do extrato de própolis, enquanto que isolados de Pseudomonas aeruginosa (não patogênica à planta), a espécie mais constantemente usada em trabalhos conduzidos com própolis, tem se apresentado sensível às substâncias inibitórias presentes no extrato (Prado Filho et al., 1962; Meresta & Meresta, 1985; Valdes, et al., 1989; Grange & Davey, 1990). No entanto, trabalhos desenvolvidos por Detoma & Ozino (1991) evidenciaram que em meios de cultura contendo até, aproximadamente, 1% de própolis não ocorreu a inibição de colônias desta espécie. Com base nestes resultados para P. aeruginosa, pode-se inferir que diferentes isolados de Pseudomonas patogênicos a plantas possam também variar quanto à sensibilidade ao própolis.

A suplementação do meio de cultura com própolis feita anteriormente à autoclavagem do meio forneceu resultados idênticos à incorporação realizada após o processo de esterilização. Esta observação demonstra que o princípio ativo envolvido na inibição de bactérias não é termosensível, concordando com os relatos de Prado Filho et al. (1962). Além disto, o fato de não ocorrer contaminantes nos meios onde o extrato não esterilizado foi adicionado ao meio, anteriormente à esterilização, demonstra que, provavelmente, o própolis possa ter ação inibitória contra outros tipos de organismos, como fungos, por exemplo.

A comprovação de que o extrato aquoso de própolis pode inibir o desenvolvimento de bactérias fitopatogênicas sugere o uso potencial deste produto para o controle de doenças de plantas de etiologia bacteriana.

Foram avaliados 50 indivíduos, de ambos os sexos e faixa etária média de 42,5 anos, da clínica de Semiologia da FORP-USP, objetivando-se isolar e identificar leveduras na cavidade bucal, com e sem lesão, e determinar a DIM dos produtos comerciais Própolis (Apis-Flora) e Periogard (Colgate) frente às cepas isoladas. Leveduras do gênero Candida foram detectadas na saliva de 9(47,4%) indivíduos com boca clinicamente sadia, 18/81,8% portadores de lesões bucais e de 4/44,4% pacientes com desvio de normalidade; sendo detectadas em 19/86,4% lesões. No grupo com candidose bucal, respectivamente de língua e lesão, isolou-se C.tropicalis (8% e 10,7%), C.glabrata 4% e 3,6%) e C.parapsilosis (2% e 3,6%), além de C.albicans (71,4% e 67,8%) como espécie única e prevalente. A contagem de ufc total/ml de saliva demonstrou um valor médio no grupo com candidose bucal (171,5% x 103) maior do que no controle (72,6 x 103) e portadores de anormalidade (8,3 x 103). A maioria das cepas testes 67/70 (95,7%) foi sensível aos anti-sépticos, sendo que a Própolis apresentou uma DIM igual a 1:20 para 54/70 (77,1%) e, o Periogard uma DIM de 1:160 para 42/70 (60%) cepas de nichos sadios; semelhante ao obtido com cepas de lesões bucais. Resultados diferentes ocorreram, principalmente, entre espécies diferentes. Os resultados indicam a possibilidade de se empregar os anti-sépticos Própolis e Periogard (clorexidina), na prevenção e na terapêutica da candiase bucal.Não se pode relegar a própolis a uma categoria de modismo terapêutico, tendo em vista que suas virtudes são reconhecidas há séculos, sendo relatadas em inúmeros trabalhos que demonstram diferentes tipos de atividade biológica e aplicações em diversas terapias, principalmente na área odontológica. Em Cuba, foram realizados vários estudos clínicos (em dermatologia, como antibiótico e modificador de resposta biológica entre outras aplicações)66 bem como no Brasil no uso pré- e pós-operatório67 e tratamento de hiperglicemias (diabetes). A grande questão para o futuro é responder a uma pergunta antiga: qual própolis serve para qual ação terapêutica? E para isso é necessário definir quais parâmetros terapêuticos mínimos as diferentes própolis devem possuir, ou idealmente qual composição química mínima deveria ser exigida para que apresentem as propriedades farmacológicas desejadas. No caso da própolis européia a padronização de seu uso como "fitoterápico" é mais simples já que o principal parâmetro que rege sua atividade é o teor de flavonóides. Portanto, determinando o teor de flavonóides e contaminantes (como metais pesados) seria possível classificar a qualidade da própolis. Atualmente, na comunidade de apicultores brasileiros existe a preocupação de o Brasil perder mercado, caso não haja uma padronização das características da própolis brasileira. A caracterização da qualidade da própolis brasileira é um desafio multidisciplinar que a comunidade científica tem pela frente, tendo em vista a variação de composição e o grande número de compostos bioativos. É necessário determinar quais são os parâmetros que devem ser controlados para que a própolis comercial possua uma determinada atividade farmacológica. De coloração e consistência variada, a própolis formada por ceras e resinas, é coletada por abelhas de diversas partes das plantas como brotos, botões florais e exsudatos resinosos. Sua composição irá depender da origem do material coletado; isto é, reflete a variedade de vegetação próxima à colméia. No geral, a própolis é composta de 50% de resina e bálsamo de vegetais, 30% de cera, 10% de óleos aromáticos, 5% de pólen e 5% de várias substâncias. Dependendo da origem, pode conter acima de 400 substâncias químicas com funções ainda desconhecidas na fisiologia humana.

O uso da própolis como tratamento terapêutico natural vem de mais de 5.000 anos. De origem grega, a palavra significa uma combinação de pró (defesa) e polis (cidade), "defesa da cidade", neste caso, a cidade é a colmeia. As abelhas produzem a própolis para forrar os alvéolos, câmara onde as rainhas depositam os ovos e crescem as larvas. A utilizam também para vedar as entradas e orifícios da colmeia. É a defesa da vida, preservando a temperatura interna da colmeia e não permitindo a entrada de corpos estranhos, a fim de evitar a propagação de epidemias.

Flavonóide é o principal composto da própolis

Flavonóide: princípio ativo da própolis que age em benefício e atua no combate às doenças que atacam o homem.

Dentre os produtos apícolas tais como mel, geléia real e pólen, a própolis vem se destacando tanto pelas suas propriedades terapêuticas, como atividades antimicrobiana, antiinflamatória, imunomodulatório, hipotensivo, cicatrizante, anestésica e anticariogênica.

Os efeitos terapêuticos têm sido atribuídos aos dois grandes grupos de princípios ativos que a compõem: os flavonóides são considerados como um dos principais compostos. Seguem-se os diversos ácidos fenólicos e seus ésteres, fenólicos, álcoois e cetonas. A quantidade de cada um desses elementos depende da flora utilizada pelas abelhas. A variabilidade genética das rainhas, também influencia na sua composição química.

Acredita-se que a própolis ideal é aquela produzida em regiões onde existam o mínimo de poluição ambiental, distante dos grandes centros e fábricas poluentes. Pesquisas clínicas e científicas realizadas em todo o mundo, principalmente, em universidades japonesas, têm demonstrado os grandes benefícios da própolis, especialmente, como estimulante natural das defesas orgânicas e, têm de fato vários efeitos comprovados. O homem pode tanto utilizá-la externamente em feridas, inflamações e infecções, como por ingestão oral.

Composição Química da própolis

Resinas e Bálsamos Aromáticos: 50%
Ceras: 25 a 35%
Óleos essenciais: 10%
Grãos de Pólen: 5%
Minerais: alumínio, cálcio, estrôncio, ferro, magnésio, silício, titâneo, bromo e zinco.
Vitaminas: provitaminas A e todas do complexo B.
Flavonóides; Ésteres cafeinados.

Indicações para utilizar a própolis

- Em afecções inflamatórias superficiais, como estomatite, amigdalite, gengivite, piorréia alveolar, hemorróidas. No caso de estomatite e inflamações da garganta, o extrato alcoólico atua melhor no sintoma, uma vez que cria uma película protetora no local onde foi passado;
- É indicada para prevenção da saúde, recuperação da fadiga e prevenção de outros sintomas indesejáveis que ocorram internamente;
- É indicada para melhorar as ulcerações e inflamações e amenizar os sintomas do reumatismo, diabetes, hipertensão;
- Fortalecimento da ação imunológica pela ação de linfócitos, estimulação do organismo enfraquecido, redução dos efeitos colaterais de anti-cancerígenos e radioterapia;
- Prevenção e tratamento de pneumonia crônica e bronquite infantil;
- Tratamento de queimaduras graves e efeitos sobre doenças dermatológicas.

Funções da Própolis na Colméia

- Fechar as frestas no interior da colméia, evitando corrente de ar ou frio;
- Embalsamar os cadáveres dos inimigos que entram no interior da colméia, evitando sua decomposição;
- Envernizar o interior da colméia e atuar como agente desinfetante;

Envernizar os favos de cria antes da rainha colocar os ovos, para obter assepsia dos ninhos, protegendo contra bactérias e vírus.

Própolis in natura - classificação

Estabeleceu-se uma classificação própria em sete categorias, visando atender às exigências do mercado externo, principal comprador à época. Daí, a denominação em inglês, motivo pelo qual muitos questionam. A classificação feita visualmente, considera vários fatores: remoção de todas impurezas, cheiro, cor, sabor, tamanho e frescor (manejo e colheita no tempo adequado). Cada lote produzido é inspecionado com elaboração de testes e análise bioquímica.
Ultra Green - Super Green - Standard Blend - Paraná Green - Especial Conap - Brown Grade - Ainda, Próplolis em Pó.


BIBLIOGRAFIA

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Fonte: http://br.news.yahoo.com/060320/11/12xhp.html


Comentários

agosto 17. 2010 17:46

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