O fato de não aparecer em banco de dados e não ser reconhecido pelo Ministério da Saúde, não quer dizer que o alimento não tenha uma ação funcional, uma vez que hoje temos mais de 124 princípios ativos totalmente conhecidos e comprovados laboratorialmente e nossa ANVISA, reconhece apenas 20. Discussões a parte sobre princípios e metodologias, podemos dizer que, caímos com isso em uma enorme pirataria genética, e nossas fontes naturais estão sendo ridiculamente, patenteadas por outros paises. Porém como a esperança é a ultima que morre, temos fé que um dia o Brasil aprenderá a utilizar este verdadeiro tesouro de biodiversidade que possuímos.Um dia deixaremos de importar de paises europeus medicamentos com principio ativo tropical.Caros Nutrólogos, leiam o trabalho de pesquisa feito na Unicamp e tirem suas conclusões sobre a malfadada Berinjela.
Tabela Nutricional
Berinjela, crua
Nome científico: Solanum malongena
Nutrientes | Unidade | Valor por 100 g |
Relacionados |
Água | g | 92.410004 |
Calorias | kcal | 24 |
Proteínas | g | 1.01 |
Lípides totais (gordura) | g | 0.19 |
Carboidratos, por diferença | g | 5.7 |
Fibra total dietética | g | 3.4 |
Cinzas | g | 0.7 |
Minerais |
Cálcio, Ca | mg | 9 |
Ferro, Fe | mg | 0.24 |
Magnésio, Mg | mg | 14 |
Fósforo, P | mg | 25 |
Potássio, K | mg | 230 |
Sódio, Na | mg | 2 |
Zico, Zn | mg | 0.16 |
Cobre, Cu | mg | 0.082 |
Manganês, Mn | mg | 0.25 |
Selênio, Se | mcg | 0.3 |
Vitaminas |
Vitamina C, ácido ascórbico total | mg | 2.2 |
Tiamina | mg | 0.039 |
Riboflavina | mg | 0.037 |
Niacina | mg | 0.649 |
Ácido pantotênico | mg | 0.281 |
Vitamina B6 | mg | 0.084 |
Folato total | mcg | 22 |
Vitamina B12 | mcg | 0 |
Vitamina A | UI | 27 |
Vitamina A, RAE | mcg_RAE | 1 |
Lípides |
Ácidos graxos, total saturados | g | 0.034 |
Ácidos graxos, total mono-insaturados | g | 0.016 |
Ácidos graxos, total poli-insaturados | g | 0.076 |
Colesterol | mg | 0 |
Fonte: USDA Nutrient Database for Standard Reference
Fitoquímicos
Na última década, os fitoquímicos -- compostos bioativos presentes naturalmente nas frutas e vegetais -- vêm sendo largamente estudados pela ação protetora e antioxidante que desempenham. São vários os estudos epidemiológicos que mostram a relação inversa entre o consumo de uma alimentação rica em frutas e vegetais e a ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis.Dentre os vários fitoquímicos, a antocianina, pigmento responsável pela coloração preta, vermelha, púrpura e azulada de diversos alimentos, presente na casca da berinjela, vem sendo associado à redução da oxidação da LDL - Colesterol, prevenção da agregação plaquetária, do câncer e de infecções do trato urinário (AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION, 2003). Estudos clínicos in vivo mostraram que para ocorrer adequada absorção, metabolismo e efeito antioxidante da antocianina, a dieta deve conter níveis relativamente altos deste fitoquímico (PRIOR, 2003).Glicoalcalanóides, presentes na berinjela, são transformados em creme medicinal e utilizados no tratamento de câncer de pele -- carcinoma celular basal (CARPER, 1995). Alem disso apresenta na sua composição: Ácido ferrúlico, licopeno, ácido linoleico, hidroxitriptamina, cálcio, fósforo,ferro, Vitaminas do complexo B, etc.
Trabalho Científico
Efeito da Berinjela sobre os Lípides Plasmáticos, a Peroxidação Lipídica e a Reversão da Disfunção Endotelial na Hipercolesterolemia Experimental
AUTORES:
Dr.Paulo Afonso Ribeiro Jorge, Dra. Lidia C. Neyra, Dra. Regina M. Osaki, Dr.Eros de Almeida,Prof.Dra. Neura Bragagnolo ,FEA-Unicamp,Campinas, SP
OBJETIVO:
Estudar o efeito do suco da berinjela sobre os lípides plasmáticos, o colesterol tecidual, a peroxidação lipídica das LDL nativas, oxidadas e da parede arterial e o relaxamento dependente do endotélio, em coelhos hipercolesterolêmicos.
MÉTODOS:
Coelhos foram separados em grupos controle (GC), hipercolesterolêmico (GH) e berinjela (GB), (n=10). Os animais do GC foram alimentados com ração normal, o GH e o GB com ração acrescentada de colesterol (0,5%) e gordura de babaçu (10%) durante 30 dias. Ao GB acrescentou-se suco de berinjela, nos últimos 15 dias do experimento. Os lípides plasmáticos foram medidos através de kits enzimáticos, a peroxidação lipídica pela dosagem do malondialdeído (MDA) e o relaxamento dependente do endotélio, por curvas de concentração efeito pela acetilcolina e nitroprussiato.
RESULTADOS:
O peso dos animais foi menor no GB em relação ao GC e GH (p<0,05). O colesterol total plasmático, as LDL e os triglicérides que se elevaram no GH, reduziram-se em 19%, 29% e 38%, respectivamente no GB (p<0,05). O colesterol tecidual foi menor no GB (50%) em relação ao GH (p<0,05). Nos animais do GB ocorreu redução significante do teor de MDA nas LDL nativas (56%) e oxidadas (22%), assim como na parede arterial (30%) (p<0,05). O relaxamento máximo dependente do endotélio, , elevou-se significantemente em 28% no GB em relação ao GH (p<0,05).
CONCLUSÃO:
O suco de berinjela administrado a coelhos hipercolesterolêmicos reduziu significantemente o peso corpóreo, o colesterol total, as LDL plasmáticas, os triglicérides, o colesterol tecidual, a peroxidação lipídica das LDL nativas, oxidadas e da parede arterial, assim como aumentou o relaxamento dependente do endotélio.
Palavras-chave: berinjela (solanum melongena), LDL, lípides plasmáticos, colesterol .A hipercolesterolemia e sua relação com a doença coronária aterosclerótica tem sido demonstrada em muitos ensaios clínicos 1,2. De outro lado, a redução do número de eventos e de mortalidade ou doença coronária, a interrupção ou mesmo a regressão da doença aterosclerótica através de drogas redutoras do colesterol plasmático, também tem sido referida por inúmeros estudos 3-7. Os mecanismos envolvidos na redução dos eventos e na mortalidade por doença coronária, quando ocorre diminuição do colesterol plasmático, parecem estar relacionados à reversão da disfunção endotelial e estabilização da placa de aterosclerose, uma vez que não se observa aumento significante do diâmetro vascular ao nível da placa de aterosclerose 4. Mais recentemente, tem-se verificado que as substâncias anti-oxidantes são capazes de reverter a disfunção endotelial provocada pela hipercolesterolemia 8,9 e também reduzir o numero de eventos coronários 10, embora sua utilização, na prática médica, careça, ainda, de informação mais conclusivas. Diante destas evidências, a redução do colesterol plasmático e a proteção endotelial colocam-se como importantes providências para o controle da doença aterosclerótica.
Considerando o elevado custo dos medicamentos redutores do colesterol plasmático e a perspectiva de seu uso prolongado, os pacientes têm recorrido a tratamentos alternativos para o controle da hipercolesterolemia. Estes tratamentos têm sido utilizados de forma empírica pela população, carecendo de uma metodologia de estudo que permita conclusões mais confiáveis. Em nosso meio, tem sido usada a berinjela, sob a forma de suco do fruto, ingerido duas ou três vezes ao dia. A ampla utilização da berinjela pela população, de um modo geral, e a importância do melhor conhecimento de seu efeito sobre a hipercolesterolemia e a proteção endotelial, representou o fundamento desta proposta de estudo, que visa verificar o efeito do suco de berinjela sobre o peso corpóreo, os lípides plasmáticos (colesterol total (CT), triglicérides (TG), LDL-colesterol e HDL-colesterol), o colesterol da parede arterial, a peroxidação das HDL-plasmáticas e da parede arterial e o relaxamento dependente do endotélio, em coelhos hipercolesterolêmicos.
Métodos
Foram utilizados coelhos da raça Nova Zelândia, machos, com peso médio de 2.530±0,10g e idade média de oito semanas, separados em três grupos: grupo controle (GC) (n=10); grupo hipercolesterolemia (GC) (n=10) e grupo berinjela (GB) (n=10). Os coelhos do GC foram alimentados com ração da marca Criacoelhos (Mogiana Alimentos S/A), na quantidade de 100g ao dia e com a seguinte composição em g/100: proteínas, 20,00; carboidratos, 45,00; fibras, 16,00; gordura, 5,00; cinzas, 14,00. Os animais dos GH e GB receberam a mesma dieta do GC, enriquecida com colesterol (0,5%) e gordura de babaçu (10%), durante 30 dias. Aos coelhos do GB foram administrados 10mL/dia de suco de berinjela, durante os últimos 15 dias do experimento, através de gavagem. O preparo do suco de berinjela constou de 100g de berinjela e 70mL de água, batidos em liqüidificador durante 5min e foi estudado através de análise físico-química de acordo com os métodos oficiais da associação de análises químicas 11, apresentando as seguintes características: em g/100 - proteínas 0,74; carboidratos 2,72; fibras 0,40; lípides totais 0,34; cinzas 0,26; calorias, 17 calorias.
Não encontramos na literatura referência sobre a dose a ser administrada. Estabelecemos, de forma empírica, a dose de 10mL do suco de berinjela, que corresponde a 0,10g de proteínas. Esta dose foi bem aceita pelos animais em projeto piloto, sem qualquer reação adversa. A dosagem do CT, LDL, HDL e TG foi realizada em amostras de sangue, obtidas por punção cardíaca, utilizando-se kits enzimáticos e espectofotômetro da marca Bechman 700. No final do experimento os animais foram sacrificados, sendo retirada a aorta toráxica. O colesterol em anéis de aorta foi medido de acordo com o método de Naito e David 12. Os espécimes foram secos e homogeneizados a 4oC em 5mL de tampão TrisHCL, pH 7,4 acrescido de 0,01 NaNO3. Os lípides totais foram extraídos e homogeneizados em 10 vol de clorofórmio-metanol O CT foi medido por ensaio enzimático. Quanto à dosagem da peroxidação lipídica da parede arterial, um segmento da aorta torácica foi homogeneizado com ácido tricloroacético (1g de tecido + 10 vol TCA 20%). Após centrifugação, foi acrescentado um volume de ácido tiobarbitúrico 0,67% e a mistura aquecida a 100oC por 20min. A concentração de malondialdeído (MDA) foi calculada pela absorbância de 532nm, utilizando-se um coeficiente de extinção de 1,49x10-5 expresso em moL/mg de tecido x 10-7. Com relação à dosagem da peroxidação lipídica das LDL, amostras de sangue foram coletadas em tubos plásticos com EDTA a pH 7,4 e centrifugadas a 3.000rpm por 15min a 10oC. Este procedimento remove todos os resíduos celulares e é obtido um plasma completamente claro. O método utiliza o procedimento de Havel e col 13 que consiste em dois passos seqüenciais de ultracentrifugação por 48h. Inicialmente, 4mL de plasma é centrifugado a 40.000rpm por 18h (ultracentrífuga Beckman, mod L-8) para retirar os quilomícrons e VLDL. Com uma pipeta Pasteur são retiradas estas lipoproteínas e a densidade ajustada para 1,063g/mL com KBr sólido. Outra centrifugação a 40.000rpm durante 20h, permitirá isolar as LDL, que serão coletadas com uma pipeta de ponta fina, para sua caracterização e oxidação. O colesterol das LDL isoladas foi determinado através de kit enzimático da Boehringer Manheim, Germany. A proteína foi quantificada pelo método de Lowry e col 14. A oxidação da LDL foi realizada mediante incubação de 100µg de proteína/mL em tampão fosfato-salino 1mH, pH 7,4 em presença de sulfato de cobre (5mM) a 37oC, por 24h. A dosagem de TBARS consistiu em colocar em um tubo de ensaio, 150µg de proteína de LDL, completando para um volume de 500µg, na presença de 1mL de ácido tiobarbitúrico 0,67% e 0,3mL de ácido tricloroacético a 50%. Após aquecimento a 100oC por 30min, o teor das substâncias reativas com ácido tiobarbitúrico foi determinado pelo método de Bueg e Aust 15, com leitura a 532nm de absorbância.
Anéis da aorta de aproximadamente 5mm foram obtidos tomando-se especial cuidado para manter intacto o endotélio. O endotélio foi mecanicamente removido em igual número de anéis de aorta, atritando-se à superfície endotelial do vaso com uma pequena cureta. Os anéis foram suspensos em uma solução de Krebs-Henseleit a 37o e pH 7,4 em uma cuba de 10mL. A solução foi continuadamente aerada com mistura de carbogênio contendo 95% de oxigênio e 5% de gás corbônico. Os anéis de aorta foram montados em dois ganchos de metal ligados a um suporte da cuba e a um transdutor de força. Os espécimes foram deixados em equilíbrio por 60min, com troca do Krebs a cada 20min. Em seguida foram distendidos a uma tensão basal de 1g. Todos os anéis de aorta, com e sem endotélio, foram contraídos com NE (10-7 M). Depois que a contração estabilizou-se, ACh foi adicionada de forma cumulativa (10-8 a 10-5 M). O mesmo procedimento foi realizado para os anéis de aorta nos quais o endotélio foi removido.
As curvas que expressam o relaxamento dependente do endotélio foram comparadas por análise de co-variância 16. Os valores de peso corpóreo, do CT, LDL, HDL, VLDL, TG, colesterol residual e MDA nos diferentes grupos de animais foram examinados por teste estatístico não paramétrico de Kruskal-Wallis e Man-Withney 17, p<0,05 foi considerado significante. Acetilcolina, nitroprussiato de sódio, norepinefrina e as substâncias da solução de Krebs-Henseileit foram obtidos de Sigma Co. (St Louis, MO). O colesterol empregado na dieta da Amresco (Solon, Ohio) e a gordura de coco de babaçu da Refino de Óleos Brasil Ltda.
Resultados
Os valores do peso corpóreo, do perfil lipídico, do MDA das LDL nativas, oxidadas e da parede da aorta, do colesterol tecidual e do relaxamento máximo dependente do endotélio. Verificou-se que o peso corpóreo dos animais hipercolesterolêmicos tratados com berinjela, foi significantemente menor que dos animais dos GC e GH (p<0,05). Os valores do CT plasmático, LDL, VLDL e os TG aumentaram significantemente no GH quando comparado com o GC. Os valores do colesterol total, LDL e dos TG reduziram-se significantemente nos animais do GB, quando comparados com o GH (p<0,05). Não houve diferença significante para os valores das VLDL e HDL entre os grupos H e B (p<0,05). Os valores do MDA das LDL-nativas e oxidadas aumentaram significantemente nos animais do GH em relação ao GC (p<0,05) e reduziram-se significantemente nos animais do GB, quando comparados com o GH (p<0,05) (fig. 2). O teor de MDA da parede da aorta elevou-se no GH (p<0,05), quando comparado com o GC, e reduziu-se em relação ao GB (p<0,05) (fig. 3). O colesterol da aorta que elevou-se significantemente no GH, quando comparado ao GC (p<0,05), reduziu-se em relação ao GB (p<0,05) (fig. 4). A comparação das curvas de concentração-efeito com acetilcolina, entre os animais do GH e o GC, revelou redução do percentual de relaxamento dependente do endotélio no GH (p<0,05). Entretanto, observou-se aumento do percentual de relaxamento dependente do endotélio para o GB quando comparado com o GH (p<0,05). Não houve diferença entre os grupos C, H e B quando as curvas de concentração-efeito foram obtidas com o nitroprussiato. A tensão de contração com noradrenalina não foi diferente nos três grupos estudados. Apesar de não terem sido observadas diferenças nas quantidades de alimento consumidas pelos três grupos durante o período de estudo, verificou-se que o peso dos animais hipercolesterolêmicos tratados com berinjela foi menor.
Discussão
A administração da dieta enriquecida com colesterol a 0,5% e gordura de coco de babaçu a 10%, a coelhos da raça Nova Zelândia, durante 30 dias, mostrou acentuada elevação do CT plasmático (2183%), das LDL (4875%), das VLDL (4512%), das HDL (52%) e dos TG (174%), quando comparado aos animais que receberam ração normal. Os valores do MDA das LDL nativas e oxidadas in vivo através da exposição ao Cu++, também se elevaram a valores de 122% e 83%, respectivamente. O teor de MDA da parede da aorta elevou-se em 77%. O colesterol da parede da aorta aumentou 43%. Em conseqüência, ocorreu redução do percentual de relaxamento das curvas de concentração efeito com acetilcolina, sendo que o relaxamento máximo decresceu em 46%. Estes achados estão em acordo com experimentos relatados na literatura e reafirmam que a hipercolesterolemia acentua a peroxidação lipídica e compromete a função endotelial 18-20.
Nos animais hipercolesterolêmicos tratados com suco de berinjela por 15 dias, observou-se redução significante do CT plasmático em 19%, quando comparado com o GH. O colesterol VLDL e o HDL não apresentaram modificações significantes. O colesterol LDL reduziu-se em 29% e os TG em 38%. O MDA das LDL-oxidadas reduziu-se em 22% e o das LDL nativas em 56%. O colesterol tecidual reduziu-se significantemente em 50%, o MDA tecidual em 30% e o aumento do relaxamento máximo dependente do endotélio foi de 28%. Não há referência na literatura pesquisada, sobre o efeito do suco de berinjela nos parâmetros analisados neste estudo, em animais de experimentação. Mitschek GH 21 estudou o efeito da berinjela sobre a aterosclerose experimental e concluiu, através de estudo histológico, que as alterações da parede arterial, com alargamento do espaço subendotelial, edema e presença de gotículas de lípides observados em coelhos hipercolesterolêmicos apareciam apenas como discreto edema no grupo tratado com berinjela. Em nota prévia, Cruz e col 22 relataram o efeito da berinjela crua, liqüefeita com suco de laranja, administrada a pacientes hipertensos e descreveram uma redução do CT plasmático, das frações LDL e VLDL sem alteração dos valores da HDL. A berinjela é uma planta da família das solanáceas, rica em vitaminas A, B1, riboflavina, niacina e ácido ascórbico 23. Para explicar a redução do colesterol plasmático, Kritchvsky e col 24 sugerem que ocorre inibição na absorção do colesterol, por ligação de algum componente da berinjela com sais biliares essenciais na absorção intestinal do colesterol. A presença da niacina, também, pode influir na redução do colesterol plasmático. A diminuição da peroxidação lipídica, observada nesse estudo, sugere o envolvimento de outras substâncias, cujos mecanismos de ação não constituem objeto deste trabalho. A redução do colesterol tecidual deve estar relacionada não só a diminuição do colesterol plasmático, mas também à redução da peroxidação lipídica das LDL nativa, oxidadas e da parede arterial 25. Com a intenção de avaliar a intensidade do efeito do suco de berinjela, comparamos o seu percentual de ação com outras drogas redutoras do colesterol. Em outro estudo experimental 26, analisamos o efeito da pravastatina e da simvastatina em coelhos hipercolesterolêmicos, mas, em que as drogas foram administradas por um período de quatro semanas, em doses equivalentes de 10 e 15mg/dia para a simvastatina e a pravastatina, respectivamente. O CT elevou-se em 2641% no GH e reduziu-se a valores percentuais de 58 e 57 para a simvastatina e a pravastatina, respectivamente. As LDL que elevaram-se a valores de 4796% no GH reduziram-se a percentuais de 64 e 63 para os grupos simvastatina e pravastatina, respectivamente. Os triglicérides diminuíram em 11% para a simvastatina e a pravastatina. Embora a comparação entre o tratamento com a berinjela e os inibidores da HMGCoA redutase difira no tempo de administração das substâncias, permite uma visão geral sobre suas intensidades de ação. Para níveis similares de elevação do colesterol plasmático, a simvastatina e a pravastina são muito mais efetivas em reduzir o CT e LDL plasmáticos. Entretanto, os TG diminuíram mais evidentemente com o tratamento com a berinjela. Resta considerar a equivalência entre a dose utilizada nos animais tratados com berinjela, simvastatina e pravastatina. É possível que doses mais concentradas do suco de berinjela implementassem maior redução de CT. É importante assinalar que o suco de berinjela aumentou em 28% o relaxamento máximo dependente do endotélio e a pravastatina em 23% não havendo modificação significante para a simvastatina neste modelo de estudo. É possível que a ação mais evidente sobre o relaxamento dependente do endotélio observada nos animais tratados com a berinjela seja conseqüente não só da redução da hipercolesterolemia mas também de um efeito antioxidante sobre as LDL nativas, oxidadas e da parede arterial. Entretanto, não estudamos no experimento relatado, a eventual ação antioxidante da simvastatina e pravastatina. A redução do peso corpóreo nos animais tratados com o suco de berinjela foi interpretado como conseqüente ao elevado teor de fibras encontrado na berinjela. Os resultados deste estudo permitem concluir que o suco de berinjela, nas condições da experimentação, representa um tratamento alternativo e de baixo custo para as hipercolesterolemias, melhorando o perfil plasmático, o colesterol tecidual, a peroxidação lipídica das LDL nativas oxidadas e da parede arterial e provocando uma significativa proteção sobre o endotélio vascular.
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Fonte: http://br.news.yahoo.com/060320/11/12xhp.html