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Afinal, o ovo é bandido ou mocinho?

terça-feira, outubro 3, 2006

Médicos e nutricionistas revelam os benefícios e os malefícios de um dos alimentos mais consumidos pela humanidade. Um dia nos perguntamos se o ovo veio antes ou depois da galinha. Agora, isso já não nos preocupa tanto quanto se ele faz bem ou se é um afronta à nossa saúde. Frito, cozido, mexido ou na composição de outros alimentos, como bolos, tortas e empanados, o ovo está presente no cardápio do brasileiro. É verdade que bem menos em comparação com outros países. Enquanto no Brasil a média de consumo per capita anual gira em torno de 120 unidades, os japoneses chegam a consumir mais de 300 ovos por ano. Mas afinal, o ovo é mocinho ou vilão?

O questionamento é baseado em dois opostos do alimento: ao mesmo tempo em que é considerado um dos alimentos mais completos em termos de nutrientes (contém vitaminas A, B, E, D, ácido fólico, proteínas, cálcio, ferro, fósforo e zinco), também é conhecido por ser uma fonte de colesterol (molécula que se comporta como gordura e pode causar problemas cardíacos), que é encontrado na gema. De acordo com especialistas, devemos manter o colesterol no sangue abaixo de 200 mg/dl, que é exatamente o valor contido em uma só gema de ovo (200 mg). Um ovo tem em média 75 calorias.

“O ovo é um mocinho e um vilão ao mesmo tempo. O tipo de personagem que ele vai ser vai depender das características da pessoa que o consome”, explicou o cardiologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Otávio Rizzi Coelho. “Uma pessoa adulta com a saúde em dia, ou seja, sem problemas cardíacos e com níveis de colesterol sem alterações, pode comer até três ovos por semana. Caso contrário, a gema do ovo deve ser totalmente evitada”, disse Coelho.

Aloísio March da Rocha, professor de Medicina e coordenador-adjunto do Serviço de Cardiologia do Hospital e Maternidade Celso Pierro, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), considera que o ovo “não é um vilão isolado”. “A clara do ovo é rica em proteína, por exemplo. O problema é que num dia não se consome apenas o ovo, mas outras fontes de colesterol, como carne vermelha e leite integral”, afirmou. “Por isso, tudo é uma questão de bom senso. O ideal é ter uma dieta balanceada, com frutas, verduras e legumes”, completou.

E em relação às crianças? De acordo com o nutrólogo e cardiologista Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto José Ernesto dos Santos, o consumo de ovos pelos “pequenos” deve levar em consideração o histórico familiar. “Em casos de famílias em que não há casos de doenças cardíacas, pode haver um consumo moderado de três ovos semanais”, disse. Caso contrário, a recomendação é a mesma para os adultos: evitar totalmente o ovo. “Pesquisas apontam que pessoas com obesidade têm tendência a ingerir mais a gema do que a clara do ovo”, disse Jaime Amaya Farfan, professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp.

“Com moderação, o ovo é um grande auxiliar na nutrição humana. Chega quase a rivalizar com o leite”, disse a professora Gláucia Pastore, colega de Farfan na Faculdade de Engenharia de Alimentos.

A professora de Nutrição da PUC-Campinas Sônia Maria Ferreira da Silva ressaltou que o ovo é um alimento “de grande aporte nutricional, principalmente pelas suas proteínas que são de alto valor biológico para as exigências do organismo”. “Além disso, o ovo é um alimento de baixo custo para a população”, afirmou. Ela disse ainda que as gorduras do ovo estão concentradas em 33% da gema e que, dessas gorduras, cerca de 5% é colesterol, o que deve merecer atenção para pessoas com taxas elevadas dessa gordura no sangue.

“Entretanto, o ovo não necessariamente deve ser retirado da alimentação. Dois ou três ovos por semana podem ser utilizados sem culpa. Algumas dicas também podem ajudar, como por exemplo preparar omelete com duas claras e uma gema juntamente com ervas, que fica saboroso e com pouco colesterol. Outro fator importante a ser lembrado é que o exercício físico, como uma simples caminhada, tem o poder de reduzir o teor de colesterol. Dessa maneira, devemos incentivar hábitos de vida como comprar o pão fresquinho todos os dias pela manhã, levar o cachorro para passear, ir à feira, ou outras atividades que tragam prazer”, lembrou a especialista.

A FRASE

“Você, que é o consumidor do ovo e do texto, só tem que saboreá-lo e decidir se é bom ou ruim, não se é crônica ou não é. Os textos estão na mesa: fritos, estrelados, quentes, mexidos... Você só precisa de um bom apetite.”- LUÍS FERNANDO VERISSIMO - Escritor

O segredo é controlar níveis do ‘bom’ HDL e do ‘mau’ LDL

O colesterol é um substância mole e cerosa, presente em todas as partes do corpo incluindo: sistema nervoso central, pele, músculos, fígado, intestinos e coração. O colesterol é produzido pelo próprio organismo, mas também pode ser obtido dos produtos animais contidos na dieta alimentar. Esta substância é elaborada no fígado para as funções normais do organismo, entre as quais estão a produção de hormônios, ácidos biliares e vitamina D, sendo transportada pelo sangue para ser utilizada por todas as partes do corpo. Os pesquisadores descobriram que mais importante é manter baixo o nível de colesterol LDL (em inglês, “lipoproteína de baixa densidade”, o colesterol ruim) e alto o de HDL (“lipoproteína de alta densidade”, o “bom”). O primeiro carrega o colesterol para as paredes dos vasos sanguíneos e o segundo, do sangue para o fígado. (RL/AAN)

(Correio Popular - Cenário XXI - 17/9/2006)
Fonte:  http://www.unicamp.br/unicamp/canal_aberto/clipping/setembro2006/clipping060917_correiopop.html#2



Fonte: http://br.news.yahoo.com/060320/11/12xhp.html

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