Engenharia de Alimentos

EngAlimentos.com.br

Alimento ajuda a envelhecer com saúde

sexta-feira, setembro 8, 2006

Dieta funcional atua positivamente no sistema imunológico e na prevenção de doenças como Alzheimer, câncer e derrames. Prevenir é sempre o melhor remédio e é no seu prato que parte dessa prevenção pode ser encontrada diariamente. Adotar uma dieta rica em alimentos funcionais, aqueles que além das funções nutricionais básicas produzem efeitos metabólicos e fisiológicos benéficos à saúde, é uma das melhores formas de combater o envelhecimento e as doenças comuns nessa fase da vida. A receita é adotar um cardápio com grãos, frutas e hortaliças. Também existem alimentos funcionais industrializados, como leite fermentado, iogurtes e pães com fibras e margarinas que reduzem o colesterol. Recentes pesquisas científicas apontam que a qualidade da alimentação do brasileiro é composta por um consumo excessivo de alimentos calóricos e pouco nutritivos, ricos em gorduras, açúcares simples e sal.


De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças crônicas não-transmissíveis, como câncer, osteoporose, diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares são responsáveis por 72% de todas as mortes no Brasil. A maioria dessas doenças poderia ser prevenida se houvesse um controle dos fatores de risco. É aí que entra a alimentação. Ainda segundo a OMS, hábitos alimentares inadequados são responsáveis por cerca de 40% das mortes por doenças como o câncer e 80% das mortes por doenças cardiovasculares, diabetes e derrames, além de levar ao excesso de peso 55% dos homens e 62% das mulheres no Brasil.


"É preciso uma ação rápida, organizada e prioritária do governo em todos os seus níveis, das escolas, da sociedade como um todo, para reduzir esse quadro de doenças na idade avançada. Caso contrário, os serviços de saúde não terão condições de bancar os custos dos tratamentos", declarou Jocelem Salgado, professora de Nutrição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, e presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais, que na semana passada realizou o segundo simpósio sobre o assunto, em São Paulo. "Já que não é possível fazer um monitoramento genético, vamos monitorar os fatores externos", alertou a especialista.


Cura x prevenção


Diferentemente dos remédios, os alimentos funcionais não curam, mas apresentam componentes ativos capazes de prevenir ou reduzir os riscos de certas doenças, como os problemas cardiovasculares, cânceres, hipertensão, diabetes, doenças inflamatórias, intestinais, Mal de Alzheimer, entre outras. "No entanto, os alimentos funcionais só têm essa função nobre dentro de um contexto de dieta equilibrada e prática de exercícios físicos", ressaltou Jocelem.


Os especialistas esclarecem ainda que a maioria dos produtos enriquecidos com vitaminas e sais minerais não são funcionais. Segundo os profissionais, "se o enriquecimento não comprovar qualquer efeito adicional sobre a saúde, o alimento deve ser identificado como alimento enriquecido de nutrientes essenciais". Porém, se estudos comprovarem a ação desse enriquecimento sobre alguma doença crônica não-transmissível, ou ainda, se esse enriquecimento vier acompanhado da adição de outros ingredientes funcionais, então esse alimento poderá ser considerado funcional.


Alguns alimentos apresentam componentes com atividades antioxidante e capazes de melhorar a performance mental e física, retardar o processo de envelhecimento, auxiliar na perda de peso, na resistência às doenças (melhora do sistema imunológico), entre outros benefícios. Muitas pesquisas nessa área investigam o papel dos ácidos graxos, do ômega 3, do colágeno, da genisteína da soja, de certos carotenóides e compostos polifenólicos, peptídeos do leite, entre outros, como possíveis substâncias protetoras que podem retardar o processo do envelhecimento e doenças relacionadas.


"Os alimentos funcionais não são milagrosos. É preciso seguir uma dieta adequada e consumi-los regularmente", disse Glaucia Pastore, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "E quanto mais cedo começar, melhor", completou.


A professora Eglé Demonte Franchi, de 70 anos, disse que seleciona "muito bem" os alimentos que consome. "Procuro comer sempre legumes, verduras, frutas e carnes brancas, como sardinha e salmão, ricos com ômega 3", disse. Ela também afirmou consumir alimentos com fibras e entre duas e três castanhas por dia. Junto com a dieta, ela faz musculação e caminhadas. "Me sinto muito bem e com muita disposição", afirmou. "Só lamento que alguns produtos funcionais sejam muito caros."


SAIBA MAIS

O brasileiro está vivendo mais. Por volta da década de 50, a expectativa de vida no País era de 43 anos e, em 2003, essa média subiu para 71,3 anos. Em 2025, o Brasil deverá ter a sexta população mais idosa do mundo, com 34 milhões de pessoas com mais de 60 anos, de acordo com estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi um aumento de 0,8 em relação à de 2000, quando a média era de 70,5 anos. Entre 1980 e 2003, a esperança de vida ao nascer no Brasil elevou-se em 8,8 anos: mais 7,9 anos para os homens e mais 9,5 anos para as mulheres. O Brasil deve alcançar o patamar de 80 anos de esperança de vida apenas por volta de 2040.


A FRASE

"O Brasil ainda está muito longe de ter em mãos as informações sobre os alimentos funcionais disponíveis no País. Não há quase nada estudado sobre isso."- GLAUCIA PASTORE - Professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp


Autor: Raquel Lima
Fonte: Correio Popular



Fonte: http://br.news.yahoo.com/060320/11/12xhp.html

Tags:
Filed Under: Matérias