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Ranicultura - Criação de Rãs

domingo, agosto 20, 2006
A rã criada comercialmente em cativeiro no Brasil é a rã-touro gigante (Rana catesbeiana). Este animal de origem norte americana foi introduzido em nosso país em 1935, e foi escolhido pelos criadores devido as suas características zootécnicas tais como: precocidade (crescimento rápido), prolificidade (alto número de ovos por postura), e rusticidade (facilidade de manejo). Outras espécies de rãs (nativas do Brasil como a rã-pimenta, rã-manteiga ou paulistinha), também podem ser criadas em cativeiro, mas apresentam comparativamente com a rã-touro, até o momento, menor desempenho produtivo e maiores dificuldades técnicas e burocráticas. 

As rãs possuem características biológicas e fisiológicas bem distintas dos animais comumente criados. O seu ciclo de vida compreende uma fase exclusivamente aquática, onde recebem o nome de girinos, e outra terrestre (rã propriamente dita), porém com extrema dependência da água.

A ranicultura paulista teve seu início em 1939 através do fomento realizado pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Atualmente podemos dizer que a rã-touro é a única espécie utilizada pelos ranários comerciais brasileiros. Ela é a melhor rã para a criação intensiva e adaptou-se perfeitamente as nossas condições climáticas. Segundo dados publicados em 19991 o Brasil apresenta aproximadamente 600 ranários implantados, 15 indústrias de abate e processamento (7 com SIF e SIE e 8 com processos em andamento), 6 associações estaduais de ranicultores e 4 cooperativas. 

A área média recomendada para a implantação de um ranário rentável comercialmente varia entre 500 a 700m2. Com esse projeto o ranicultor pode atingir uma produção de anual média de 2.000 Kg de carne. Recomenda-se água de boa qualidade preferencialmente de mina ou poço. O custo de implantação médio no Estado de São Paulo varia entre R$ 30,00 a R$ 50,00/m2 de área construída. O custo de produção médio é de aproximadamente R$ 7,00/Kg de carne, e o preço médio no atacado em São Paulo gira em torno de R$ 9,00 a R$13,00/Kg de carne (OUT/01)2.

Praticamente toda a produção brasileira (cerca de 400 ton./ano) é absorvida pelo mercado interno, mas o Brasil possui condições de conquistar grande espaço no mercado externo, porém necessita preparar-se para tal. Existem também novos nichos de mercado interno a serem conquistados3.

Os ranários comerciais, em sua maioria, são constituídos por vários setores tais como: Reprodução, Desenvolvimento Embrionário, Girinagem, Metamorfose e Engorda. O setor de Engorda representa cerca de 70% das instalações em um ranário. 

Para os setores de reprodução e engorda são necessárias áreas secas com cochos e abrigos e uma área com piscina. As outras fases são exclusivamente aquáticas. 

Todos os tanques são construídos em alvenaria com cobertura de tela de náilon, geralmente sombrite 50%, e ficam sob estufas ou galpões agrícolas. Dessa forma pode-se promover o aumento da temperatura ambiente, permitindo assim um desenvolvimento mais rápido dos animais.

O tempo que o animal leva desde a fase de ovo até o peso de abate é em média de 7 meses, e varia conforme a temperatura, manejo, alimentação e potencial genético. Destes 7 meses apenas 4 meses são relativos à engorda propriamente dita, sendo que os 3 meses  iniciais são relativos ao tempo em  que ocorre a eclosão dos ovos de onde saem os girinos que crescem e sofrem a metamorfose (ou seja, as diversas transformações internas e externas pelas quais passam os girinos até se transformarem em rãs jovens. O peso de abate varia conforme a região e o consumidor alvo variando de 170 g a 250 g. Uma rã abatida pesa em média aproximadamente 100 g.

Alimentação

Para os girinos recomenda-se administrar ração farelada de trutas ou rãs com 35 a 40% de proteína bruta. 

Já para as rãs, a ração a ser ofertada, deve ser peletizada ou extrusada com 40% de proteína bruta, que pode ser acrescida de 20% de larvas de dípteros, ou oferecida sobre cochos vibratórios, ou ainda “a lanço” dentro da parte aquática, conforme o sistema de engorda adotado.

Valores Nutricionais da carne de Rã

A carne de rã destaca-se nutricionalmente por sua grande quantidade de proteínas de alto valor biológico e por seu baixo teor em gorduras e por estas características é indicada para dietas hipocalóricas. Em termos comparativos, podemos notar que a carne de rã possui menor valor calórico e menor teor de lipídeos que as carnes de aves e peixes.

Tabela: Composição química e valor calórico de alguns tipos de carne branca.

Rã Touro Rã Pimenta (carne magra)GalinhaPescado
Calorias (Kcal/100g)69,6582,34117,7091,00
Proteínas (g/100g) 16,1319,0122,0020,50
 Lipídeos (g/100g)  0,570,703,301,00
Cinzas (g/100g) 0,570,671,001,40
Umidade (g/100g)82,7178,5173,7077,10

                                                                                      
                                                                

Fonte: * Dados obtidos da Tabela do ENDEF (1979)

 



Fonte: http://br.news.yahoo.com/060320/11/12xhp.html

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