Quem olha as prateleiras refrigeradas de um supermercado não imagina a guerra de companhias por trás de cada marca de iogurte, leite ou queijo. O alvo da mais recente disputa é a Batavo, marca da Batávia S.A., de Carambeí, no Paraná. A Parmalat, que em 1998 comprou 51% da ações da companhia paranaense, quer vender sua parte. A Perdigão é a favorita do momento para a aquisição, mas a Danone, também interessada, corre por fora. A briga é feroz porque a Batavo, além de ser um das marcas mais fortes e tradicionais do país no ramo de laticínios e refrigerados, está com a bola toda: saiu de um prejuízo de R$ 8 milhões em 2004 para um lucro de quase R$ 18 milhões em 2005 e faturamento de R$ 600 milhões.
A venda é iminente. Primeiro porque a empresa paranaense está tinindo. No ano passado, colocou nas gôndolas 40 novos produtos. Entre os quais, a linha de sucos – um mercado de R$ 750 milhões que cresce 27% ao ano. “Inauguramos no final de 2005 uma nova fábrica em Carambeí só para fazer suco. O investimento foi de R$ 4 milhões”, conta o diretor geral José Antonio Fay. “O ritmo de lançamentos continua em 2006”. Para transformar prejuízo em lucro, Fay agilizou o processo produtivo e investiu em distribuição. Hoje, a Batávia leva 12 dias entre a fabricação e venda de um produto. Até 2003, o processo levava 15 dias.
Batávia e Parmalat querem que a venda se concretize. Pelo lado da Batávia, se livrar da Parmalat seria bom porque a parceria com a italiana foi desastrosa. A empresa ficou sem crédito no mercado depois de descoberto, em 2003, o rombo de 3,95 bilhões de euros na matriz da empresa italiana. Mas a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná Ltda. (CCLPL) e a Agromilk (donas de 49% da Batávia) contornaram a situação: conseguiram na Justiça, em 2004, o direito de expulsar os executivos da Parmalat do comando. Ainda fizeram um aporte de R$ 5 milhões na sociedade que, sem crédito, precisava de fôlego para continuar funcionando.
“A parte da Parmalat vai mesmo ser vendida pois isso faz parte do plano de recuperação da multinacional”, diz Fay. A única dúvida é quem vai comprar. A Danone está no páreo. Mas, como sempre acontece em histórias de aquisições, nega tudo. A Perdigão confirmou a intenção na Comissão de Valores Mobiliários, pois tem ações em bolsa. Na quarta e quinta-feira passadas, executivos da companhia catarinense reuniram-se com a Parmalat. Mas nada foi resolvido. Na mesma quinta-feira Fay viajou a Paris em férias de 30 dias. “Quando voltar, terei chefe novo”, disse. Nesta terça 24, haverá outra reunião entre Parmalat e Perdigão.
Tanto para Perdigão quanto para Danone, o negócio é tentador. A Danone, segunda maior do setor, englobaria os 13,3% de participação da Batávia, a terceira colocada, e encostaria na Nestlé, a líder. Para a Perdigão, entrar no ramo de refrigerados e laticínios também é vantajoso, já que também realizaria um antigo sonho: tornar-se uma empresa de alimentos gerais, como a Nestlé. E nada seria mais cômodo que a compra da Batávia (em parte ou totalmente). Além de ser vizinha de muro da fábrica da Batávia, em Carambeí, a Perdigão comprou o frigorífico da Batávia em 2000 (a Parmalat, na época, não queria manter a linha de carnes, já que trabalhava só com laticínios) e tem licença para usar a marca Batavo em seus frios.
O valor do negócio ninguém sabe. Os cooperados da Batávia alegam que depois do aporte de R$ 5 milhões a participação da italiana caiu para menos da metade. Tribunais à parte, o mercado aposta no fechamento do negócio para os próximos dias. “É preciso ter escala para ser rentável. Sempre haverá o pequeno produtor, com atuação regional. Mas os maiores, ou comprarão outros, ou serão comprados”, diz o analista da corretora Ágora Senior, Alexandre Garcia.
Fonte: http://br.news.yahoo.com/060320/11/12xhp.html