Se quando surgiram tinham como principal finalidade a proteção do produto que abrigavam, hoje, as ganharam novas funções, desempenhando papéis que vão muito além do que simplesmente os de proteção, transporte ou identificação de seu conteúdo. Mais do que nunca as têm o poder de conferir ao seu conteúdo personalidade, auxiliando diretamente na venda do produto. Afinal, trata-se de um elemento motivador de emoções, pois muitos consumidores adquirem o produto atraídos pela aparência externa da embalagem, esperando também obter alguma satisfação com seu interior.
As têm acompanhado rapidamente as exigências do mercado consumidor, tornando-se um setor que vem sofisticando-se e evoluindo permanentemente, registrando índices de crescimento anuais maiores do que o PIB e, conseguindo driblar os momentos econômicos difíceis que o País vem passando. Entre os principais mercados mundiais, o Brasil vem apresentando as mais expressivas taxas de crescimento no segmento de , que movimenta anualmente cerca de US$ 10,5 bilhões.
Para se ter idéia, segundo dados da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), o valor bruto da produção de cresceu 1,13% em 1997 em relação ao ano anterior, alcançando picos de 17,63% para as de fibra natural, 8,94% para as de material plástico e 7,43% para as de papelão ondulado.
O setor de alimentos é um dos mais importantes para esse segmento. Conforme explicou o presidente da Abre, Sérgio Haberfeld, 70% de toda a produção brasileira de é absorvida pela indústria de alimentos, gerando uma infinidade de invólucros, como latas, caixas de papelão e de cartão, recipientes plásticos e de vidro, cartonadas, industriais etc.
Portanto, a indústria alimentícia tem um papel de destaque no consumo de no Brasil. É que por meio delas, o setor pode indentificar as necessidades e os anseios do consumidor, que vêm passando por diversas transformações, criando assim novas oportunidades de mercado. Numa simples corrida aos supermercados pode-se perceber as mudanças nos hábitos de consumo e o desenvolvimento da indústria de alimentos, que apresenta grande diversidade de produtos nos mais variados tipos de .
Na própria Fispal - Feira Internacional da Alimentação, a terceira maior em nível mundial, realizada no início de junho, em São Paulo, o setor de foi um dos destaques, mostrando sua força e as grandes inovações para a área de alimentos.
FORTE TENDÊNCIA PARA SOFISTICAÇÃOConforme explicou o presidente da Abre, Sérgio Haberfeld, o grande salto das no Brasil ocorreu a partir dos anos 90 com a abertura do mercado às importações, permitindo que o País absorvesse novas tecnologias e materiais que em anos anteriores possuíam preços proibitivos que impediam sua utilização no mercado brasileiro.
Segundo ele, hoje o segmento de consegue atender com eficiência as necessidades da indústria de alimentos. Haberfeld explicou que atualmente não existem grandes tendências para o setor alimentício, pois o Brasil vem gradativamente adotando as tecnologias utilizadas mundialmente. De acordo com o presidente, o que se vê no momento no mercado de alimentação é a ascensão de alguns tipos de , além de uma forte tendência para sofisticação.
Segundo ele, o plástico é uma categoria que vem crescendo muito na área de alimentação, especialmente por ser resistente e funcional, possibilitando sua utilização nos mais diversos tipos de . Por outro lado, esse produto tem fortes impactos ambientais, o que vem obrigando os fabricantes de a investir e estimular a reciclagem do material.
AS NOVIDADES DO MERCADOHaberfeld revelou que, principalmente nos mercados de São Paulo e Sul, as para alimentos vêm se sofis-ti-cando e passando por muitas modificações. Segundo ele, ao se analisar as para a área de alimentos nos deparamos basicamente com três tipos. As flexíveis, produzidas a partir de uma combinação de plásticos, alumínio e papel, são bastante utilizadas para os mais variados tipos de alimentos, como sopas, sucos, achocatados etc, e também variam conforme as necessidades de proteção e vida na prateleira.
Além disso, existem ainda as rígidas que nada mais são do que potes em prolipropileno ou PVC (ou a combinação de algum deles com outro material para maior proteção) muito empregados na comercialização de margarinas, geléias e outros.
Ainda para a área de alimentos são produzidas as semirígidas à base de cartão, que pode ser utilizado sozinho ou combinado com algum outro material. Este tipo de embalagem é bastante utilizado para o segmento de cereais.
Quanto a bebidas, as opções mais utilizadas no mercado brasileiro são o vidro, pet, tetra pak, que não exige refrigeração, e tetra rek para produtos refrigerados, além do papelão.
Dentro desse contexto, outra grande tendência na área de para alimentos apontada por Haberfeld é a embalagem plástica unitária, ou seja, para vendas individuais de alimentos, como por exemplo massas prontas. São fabricadas em plástico especial e que, por isso, possuem um custo maior. "Em países de primeiro mundo, essas já são muito utilizadas em função do modo de vida moderna que leva à aquisição de produtos prontos para consumo e maior conveniência. Nesses paí---ses, a tendência também é a safisticação com as ganhando cada vez mais novos papéis", relata o presidente.
De acordo com ele, trata-se de nichos específicos e de menor volume do mercado de que também vêm conquistando espaço e apresentando inovações. Nesse aspecto, existem ainda muitas novidades tanto no Brasil quanto no exterior.
Nos Estados Unidos, por exemplo, uma nova tecnologia que vem revolucionando o mercado é a Cpet. Trata-se de um novo conceito de embalagem plástica que pode ser levada tanto ao freezer quanto aos fornos convencional ou microondas em temperaturas extremas.
Entretanto, de acordo com Paulo César Medina, diretor da Siry Comércio de Papéis e Embalagens, essa tecnologia ainda não é viável para o mercado brasileiro em função do alto custo de fabricação, pois são que necessitam de maquinário especial. Segundo ele, algumas empresas tentaram trazer e até desenvolver esse conceito no Brasil, mas acabaram desistindo justamente pelo fator custo.
Por outro lado, se por enquanto ainda não podem oferecer tal tecnologia, os fabricantes brasileiros tentam buscar novas soluções que atinjam também a satisfação dos consumidores.
Nesse aspecto, a Siry desenvolveu no Brasil um novo conceito para de microondas que tem como proposta suprir a carência do setor de congelados. Como explicou Medina, são bandejas confeccionadas em prolipropileno de altís-sima resistência com dimensões retangulares, ideais para congelamento e arma-zenamento em freezer, descongelamento, aquecimento em microondas ou em banho-maria, podendo ser submetida a temperatura de 180ºC.
"Esse tipo de embalagem se encontra num degrau abaixo da tão revolucionária cpet. A família é composta por bandejas com três divisões, duas divisões e sem divisão, podendo ser encontradas na cor marfim e tampa transparente de fechamento hermético que elimina riscos de vazamentos", destaca o diretor.
De acordo com Medina, este tipo de embalagem tem tido grande aceitação, principalmente por ter um baixo custo. A empresa também lançou as para sopas que seguem esse mesmo conceito. "Estamos nacionalizando a produção desse conceito de em proli-propileno para sopas que até bem pouco tempo era importada, pois não existia no Brasil quem as produzisse. Trata-se de uma parceria com a Sanyvalle que irá fabricar as , que serão posteriormente distribuídas pela Siry", explica Medina.
OS CONTRAPONTOS DO MERCADOSegundo o presidente da Abre, a área de a granel de grande quantidade também é outro segmento que vem apresentando novidades para a indústria alimentícia. Segundo ele, o mercado brasileiro de hortifruti já está utilizando caixas de papelão ondulado mais sofisticadas que protegem os alimentos no transporte, evitando perdas e garantindo o frescor do produto. "É fato que 20% de frutas e vegetais se perdem durante o transporte com as caixas de madeira. Há muito tempo esse setor necessitava de uma embalagem mais funcional e eficiente", observa.
Embora venha alcançando grande desenvolvimento nos últimos anos, a embalagem ainda representa muito no custo final da produto. É justamente por isso que o mercado brasileiro apresenta alguns contra-pontos. Enquanto que nas regiões de maior poder aquisitivo os consumidores exigem mais sofisticadas, práticas e eficientes, no Nordeste brasileiro as opções são bem mais reduzidas. É que nessa região a embalagem para alimentos assume um papel um pouco mais supérfluo, sendo seu conteúdo o item principal, pois representa a alimentação da família.
"Hoje, o fabricante de embalagem no Brasil tem de ser flexível para atender às necessidades de todos os mercados. Principalmente em São Paulo e Sul as empresas de alimentos solicitam bonitas e sofisticadas por um custo cada vez menor. Portanto, os fabricantes tem de estar buscando constantemente novos conceitos e tecnologias que possam estar crian-do opções para a produção de ", garante.
PAPEL EDUCATIVONa opinião do presidente da Abre, os consumidores encararam como obrigação da indústria de alimentos a venda de produtos em boas condições de consumo, exigindo que garantam essa proteção e ao mesmo tempo sejam práticas e bonitas.
Pesquisas realizadas no setor mostram que os consumidores brasileiros têm buscado produtos que possam garantir a plena satisfação de suas necessidades e que contenham maiores informações relacionadas à qualidade, assim como demonstram maior preocupação com o conteúdo da mensagem, dos signos e dos símbolos impressos nas de alimentos.
Na realidade, a maneira pela qual é veiculada a informação de atributos do produtos permite que o consumidor possa fazer sua escolha com mais segurança. Nesse aspecto, a embalagem acaba assumindo um papel educativo de informar e esclarecer o consumidor, criando reações positivas e a identificação do consumidor com o produto, caso as informações contidas nas sejam realmente claras e objetivas.
Segundo a pesquisa, nas fases de compra, preparo e consumo do produto, os consumidores buscam na embalagem informações para satisfazer necessidades, desejos e expectativas. Portanto, em tempos de concorrência acir-ra-da, demonstrar preocupações com os desejos do consumidor e as tendências do mercado oferecendo uma embalagem que fortaleça esse processo de comunicação com o consumidor é, sem dúvida, uma importante vantagem competitiva. "A embalagem é acima de tudo um meio de comunicação muito barato que contribui para o aprimoramento do processo de comer-cialização, mas que segue plane-jamento rigoroso de produção para atender às suas mais variadas finalidades", acrescenta Haberfeld.
Sem dúvida, este é um mercado que vem conseguindo suprir as necessidades da indústria alimentícia que a cada dia exige mais eficientes e possam ser também importantes diferenciais para encantar seus consumidores.
ATMOSFERA MODIFICADAO crescimento do mercado de tem permitido também a utilização de novas tecnologias voltadas para conservação dos alimentos. Nesse aspecto, os sistemas de conservação em atmosfera modificada vêm ganhando mais espaço na área alimentícia. Conforme explicou Tereza Cristina Gomes, gerente de Desenvolvimento de Aplicações - Alimentos da White Martins Gases Industriais, durante seminário realizado na Fispal, no início do mês, os sistemas de acondicionamento em atmosfera modificada são desenvolvidos para efetuar a troca da atmosfera original ao redor de um produto por uma mistura de gases, a fim de prever e exercer um controle sobre as alterações que ocorrerão no produto, na embalagem e na própria atmosfera gasosa devido à interação de gases.
O objetivo principal da modificação da atmosfera é preservar o frescor do primeiro dia de proces-sa-mento e também estender por maior tempo esse frescor e outros atributos de qualidade. Segundo ela, o sistema de atmosfera modificada pode ser utilizado em vários segmentos e para diversos tipos de . Ela lembrou que na indústria de laticínios, por exemplo, a importância do uso de com atmosfera modificada já é reconhecida não só pelos aspectos de qualidade e economia apresentados, como também pelas oportunidades de negócios que a tecno--logia proporciona. "Queijos porcionados do tipo Emmental, Gouda e outros, por exemplo, que possuem olhadu-ras, devem ser embalados em uma mescla de nitrogênio e gás carbônico. Somente assim se alcança o objetivo de preservar a aparência e os atributos de qualidade de processamento do produto", explica.
De acordo com Tereza, a novidade nesse setor é a aplicação de dióxido de carbono ainda no processa-mento, gás que segue em contato até o momento da embalagem. O acondicionamento em máquinas e apropriadas resulta num sistema com atmosfera modificada, aplicação que vêm sendo utilizada com sucesso nos Estados Unidos e no Brasil.
MONTADORAS DE REFEIÇÕESO setor de carnes vermelhas também já trabalha com com atmosfera modificada que proporciona a visibilidade explícita do produto, realçando a cor vermelho-brilhante que é o atributo de qualidade percebido pelo consumidor. Na verdade, a tecnologia de atmosfera modificada ainda possibilita grandes vantagens eco-nômicas, já que permite estender a vida útil do produto, proporcionando assim otimização de mão-de-obra, de logística de distribuição, redução de perdas etc.
Como revelou a gerente, o mercado de grandes consumidores está sendo visto como um grande potencial de ganhos de eficiência e produtividade, sendo que o uso da atmosfera modificada vem ao encontro dessa realidade.
As cozinhas industriais, especialmente as que prestam serviço de alimentação a um grande número de comensais por refeição, tendem a ser num futuro próximo "montadoras de refeições", recebendo os vegetais lavados, higienizados, porcionados e prontos para consumo, o que permitiria economia de tempo, mão-de-obra e evitaria contaminações cruzadas entre vegetais e proteínas animais.
De acordo com Tereza, as cozinhas de fast food já se beneficiam desta tecnologia, recebendo, por exemplo, de dois quilos de alimentos já cortados e lavados, prontos para irem direto à preparação. Com isso, pequenas lojas em praças de alimentação nos centros de compra podem servir boas e saborosas refeições rápidas sem dispor de grandes áreas de manipulação nos bastidores.
No caso de lojas de fast food há outro aspecto interessante, segundo Tereza: a possibilidade das centrais de manipulação e acondicionamento padronizarem as quantidades de ingredientes, temperos e condimentos de forma a assegurar uma regularidade das formulações servidas nas diferentes lojas de uma mesma cadeia.
"Na verdade, sistemas com atmosfera modificada combinados com e outros tipos de tecnologias de conservação, como a irradiação, por exemplo, vêm sendo amplamente discutidos e otimizados. O fato é que essas inovações podem estar colaborando para criar novas oportunidades de negócios para a indústria alimentícia", acrescenta.
Fonte: http://br.news.yahoo.com/060320/11/12xhp.html