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Os mistérios da lactose

quarta-feira, março 22, 2006
Desde pequeninos fomos acostumados a tomar a velha mamadeira ao dormir. Não sabemos até que ponto estávamos com fome ou se aquele ritual era uma forma de pedir colo ou a acolhedora presença da mamãe... Conforme fomos crescendo, alguns de nós permaneceram com o hábito de tomar um copo de leite ao dormir ou até mesmo ao acordar, ao passo que outros desenvolveram até mesmo um certo asco ou intolerância orgânica pelo alimento. De uma forma ou de outra, o que podemos tirar de tudo isso é que todo recém-nascido precisa de leite. De preferência o do peito da mãe, pois além de ser mais completo nutricionalmente, tem todo um valor simbólico na relação mãe-bebê. Mas, por que será então que alguns continuam incorporando-o a sua alimentação regular enquanto outros não sentem a sua menor falta? Sem querer entrar em pormenores psi, todo mundo desenvolve uma maior afinidade por determinado tipo de alimento ao longo de sua vida. O leite pode ser uma dessas identificações ou não, por mais estranho que pareça. Entretanto, levando-se em consideração a necessidade de um organismo adulto para o consumo de leite, teremos muitas opiniões e saberes divergentes, cada qual embasado por uma teoria e prática mais convincente. Atualmente, temos percebido, cada vez mais, a não inclusão ou baixa recomendação de leite e seus derivados nas dietas de emagrecimento. Nessa perspectiva, alguns médicos e nutricionistas acreditam que as proteínas presentes no leite atrapalham o processo de digestão. Outros acham que seu alto poder calórico pode ser substituído pelo leite de soja, que tem valor energético menor e nutricional maior. Outros ainda crêem que o leite atrapalha o processo de aceleração do metabolismo, dificultando a transformação dos alimentos em energia. Alguns outros, ainda, talvez mais evolucionistas, dispensam o leite por considerarem o homem o único mamífero que ingere leite após a vida adulta, o que não muda muito o estado de coisas, já que os animais adultos talvez o quisessem, mas enfim não sabem como pedi-lo... A grande questão é que, independente dos rumores que o leite vem causando no que se refere a sua incorporação na alimentação ou não, é extremamente importante que se conheça seus benefícios e malefícios nutricionais para que cada um possa tomar as suas próprias conclusões e decisões particulares. Em matéria de nutrição, o leite fornece todos os aminoácidos essenciais, glicídios e gorduras, tendo suas proteínas um grande valor biológico que pode ser comparado inclusive ao da carne e ao do peixe. Além disso, é rico em sais minerais, como o cálcio e o fósforo, desempenhando um papel muito importante na manutenção de músculos e ossos saudáveis e na prevenção da osteoporose. Por um lado, o leite completo possui um alto teor de gorduras, que garante um elevado valor energético, mas, por outro, conta com a presença de vitaminas solúveis na gordura, que tem um grande poder de reserva orgânica, tais como as vitaminas A, D, E e K. Assim, se você quiser optar pelo consumo de leite e derivados, o ideal é ingerir leite desnatado, queijos brancos, frescos e iogurtes light, pois têm menos gordura e açúcar. As vitaminas sofrerão alteração, mas a fonte de cálcio e fósforo se manterá. E o valor energético diminuirá sensivelmente. Entretanto, se você, junto a seu médico ou nutricionista, definir diminuir ou abolir a lactose de sua dieta, procure substituí-la por alimentos à base de soja, como leite de soja e tofu. Fora isso, com certeza, quem irá decidir com mais sabedoria o destino do leite na sua vida será seu organismo, tolerante ou intolerante, identificado ou não a este sabor tão peculiar que tem gosto de infância.



Fonte: http://br.news.yahoo.com/060320/11/12xhp.html

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